A recessão que vivemos e a crise decorrente são muito mais um fenômeno psicológico do que, propriamente, econômico. Os fundamentos econômicos que o mercado apresentava antes de estourar a crise continuam aí. O que mudou? Mudou a percepção sobre a abundância de crédito. Com isto, todos começam a economizar e a cortar investimentos com medo de não encontrarem mercado e bons pagadores para os seus produtos e serviços.
O importante é que psicológico ou não a recessão afeta a todos. Desde as maiores empresas até ao mais humilde cidadão. Mas como diz o ditado, “depois da tempestade vem a bonança”, cedo ou tarde a crise passará e o mundo voltará ao seu ritmo normal de crescimento.
Enquanto isso, as empresas, de todos os tamanhos e segmentos, precisam sobreviver e se preparar para aproveitarem o momento de crescimento após a crise.
A crise é o melhor momento para se destacar dos seus concorrentes. Como? Inovando em seus processos de trabalho e criando vantagens competitivas diferenciadas. Para que isto ocorra basta ter vontade e determinação para implantar mudanças nos processos organizacionais responsáveis pela sua lucratividade. Se a sua empresa presta serviços, invista o seu tempo na melhoria da cadeia de atividades que vão desde o contato inicial com o cliente até à prestação efetiva do serviço, garantindo níveis superiores de qualidade e agilidade, com custos reduzidos. Se a sua empresa é uma indústria, provavelmente o principal processo é o que transforma os pedidos dos clientes em produtos acabados. Invista, pois, na melhoria drástica destes processos. Seja qual for a sua atividade, busque: redução de custos, melhoria da produtividade, redução do ciclo dos processos e crie um diferencial competitivo.
A crise é o melhor momento para rever os seus processos. Por quê? Porque as pessoas e organizações só são capazes de mudar quando são pressionadas para isso. Quando tudo vai bem, não há estímulo para a mudança. Temos aí a teoria do caos que respalda esta afirmação. Ainda, segundo Kurt Lewin, a mudança somente pode ocorrer quando as forças positivas, aquelas que estimulam a mudança, são maiores que as forças negativas. Isto, em geral, só ocorre em momentos de crise, quando temos a necessidade de ultrapassar obstáculos.
Como inovar nos processos? Existem várias formas de fazê-lo. Recomendo uma. Escolha uma metodologia estruturada que garanta integração entre as variáveis presentes em qualquer mudança: o próprio processo, o modelo de organização, a tecnologia envolvida e a cultura da empresa.
E os Resultados? Sempre aparecem quando inovamos. Inovar significa criar algo novo, algo revolucionário, algo que nos faça destacar da multidão e atrairmos o interesse do cliente. Isto é muito diferente de fazer apenas melhorias incrementais.
Muitos dos empresários mais bem sucedidos conhecem bem tudo isto. A razão do seu sucesso é justamente buscar saltos de qualidade e criar novas oportunidades nos momentos em que os outros só enxergam crise e dificuldades.
Não espere a crise passar. Faça acontecer!
(*) Nuno Marques é consultor especialista em Gestão de Processos e na aplicação de metodologia específica para o mapeamento e inovação de processos organizacionais, tendo atuado em inúmeros projetos em empresa de vários tamanhos e segmentos, como Petrobras, Unisys e Vivo.
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